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As Memórias de Javé

A Evolução Psíquica de Javé e sua Jornada com a Humanidade

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As Memórias de Javé

E se o Deus do Antigo Testamento pudesse recordar, explicar-se e responder diretamente às criaturas que marcou com os seus desígnios?

Em “As Memórias de Javé”, Jan Val Ellam reúne uma série de crónicas e diálogos atribuídos ao próprio criador bíblico, apresentados como registos de uma convivência mediúnica tensa, desconfortável e profundamente confrontadora. Neles, Javé fala da origem da sua criação, dos seus pactos, dos seus escolhidos, da relação com Enoch, Abraão, Moisés, Jesus e Maomé, e das forças que, ao longo da história, desafiaram o seu poder e modificaram os rumos do universo.

Mas estas páginas não compõem uma confissão pacífica. A cada tentativa de Javé para justificar os seus atos, ergue-se a voz crítica do autor, que o acusa de autoritarismo, manipulação, violência e incapacidade de compreender a liberdade humana. Desse confronto emerge o retrato de uma entidade instável, orgulhosa e contraditória, que começa lentamente a reconhecer os próprios limites.

À medida que absorve as emoções, os pensamentos e os valores produzidos pela humanidade, Javé inicia um processo inesperado de transformação. O criador que exigia obediência passa a procurar compreensão; aquele que impunha pactos começa a pedir diálogo; e a divindade que se julgava absoluta descobre-se dependente das próprias criaturas para evoluir.

“As Memórias de Javé” apresenta, assim, uma narrativa provocadora sobre poder, responsabilidade, criação e redenção, na qual a jornada da humanidade se revela inseparável da evolução psíquica do próprio deus que ela aprendeu a temer, venerar e questionar.

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