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Criação Revisitada

Um Cientista Eminente Explora as Origens do Espaço, do Tempo e do Universo

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Criação Revisitada

Em Criação Revisitada, Peter Atkins regressa a uma das perguntas mais antigas e incendiárias da humanidade: como pode existir um Universo sem que seja necessário invocar uma intervenção exterior? Com uma mistura rara de radicalidade científica e escrita quase poética, Atkins conduz o leitor até às origens do espaço, do tempo, da matéria, das forças e da consciência, defendendo que nada existe que não possa, em princípio, ser compreendido. O seu método é implacável: despir as aparências, reduzir a complexidade ao seu núcleo mais simples e perguntar se, no fundo, a criação exigiu realmente algum criador.

A viagem começa com aquilo que parece óbvio — moléculas, átomos, estrelas, elefantes, homens — para mostrar que a complexidade pode emergir de cadeias de simplicidade. A vida, a evolução, a perceção, a ação, a arte e até o pensamento são apresentados como manifestações de processos físicos fundamentais: energia que se dispersa, estruturas que surgem localmente, ordem que aparece como exceção temporária dentro de um movimento mais vasto em direção ao caos. A pergunta deixa de ser “quem fez isto?” e passa a ser “que mínimo de condições permite que isto surja?”.

À medida que avança, Atkins mergulha no espaço-tempo, na geometria, na dimensionalidade do Universo, na natureza da luz, das partículas, da gravidade e das forças. O livro propõe uma visão em que matéria e energia são expressões da própria estrutura do espaço-tempo, e em que a consciência emerge como uma das formas mais subtis desse desenrolar cósmico. Depois, no ponto mais ousado da obra, entra a questão da matemática: por que razão ela funciona tão bem como linguagem do real? Talvez, sugere Atkins, porque a estrutura profunda da matemática e a estrutura profunda do Universo não sejam apenas semelhantes, mas intimamente aparentadas.

Criação Revisitada é uma travessia intelectual até ao limite da explicação científica: do nada absoluto ao surgimento do tempo, do espaço, das partículas, das estrelas, da vida e da mente. Um livro provocador, lúcido e vertiginoso, onde a criação deixa de ser narrada como milagre e passa a ser pensada como possibilidade extrema: o Universo a tropeçar na existência, por acaso, a partir de quase nada — e, depois, a despertar em nós para se interrogar sobre a sua própria origem.

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