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O Sorriso de Pandora

Entre Deuses e Humanos: A Jornada de Pandora

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O Sorriso de Pandora

Criada por ordem de Zeus como instrumento de vingança contra Prometeu e contra os primeiros homens, Pandora deveria cumprir o papel que os deuses lhe haviam destinado: seduzir, perturbar e condenar uma humanidade ainda nascente. Contudo, o “demónio feito mulher” começa a transformar-se interiormente e acaba por contrariar os próprios desígnios do Olimpo.

Ao lado de Epimeteu, Pandora participa na formação das primeiras gerações humanas e descobre sentimentos que a sua natureza original desconhecia: afeto, proteção, esperança e amor pela própria descendência. Perseguida pelos emissários dos deuses, é obrigada a tornar-se feroz para defender a experiência humana que ajudara a criar.

É nesse processo que surge algo até então raro entre as estirpes de onde provinham os humanos: o sorriso — expressão de uma consciência que começa a pacificar-se, a individualizar-se e a libertar-se das determinações dos seus criadores.

Narrada pela própria Pandora, esta é a história de uma figura condenada pela mitologia, mas recuperada como mãe, rebelde e testemunha de um passado esquecido. Ao romper o silêncio, ela abre novamente a sua “caixa” — não para libertar males sobre o mundo, mas para devolver à humanidade uma parte perdida da sua origem.

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